terça-feira, 28 de abril de 2015

“La Jetée” de Chris Marker

É uma instigante história sobre viagem no tempo, da qual permeia o média metragem “La Jetée” de Chris Marker. Numa Paris em tempos de guerra, aprecia-se a memória de infância do protagonista de uma mulher no terminal de um aeroporto horas antes do estopim da III Guerra Mundial que destruiria a cidade numa grande explosão nuclear, memória essa que parece estar no futuro. A narrativa se dá através da sequência de fotografias, que mais se parece com uma lembrança da qual não é possível ter todos os detalhes guardados, mas sim elementos específicos por conta de um gesto ou um objeto, que se apresenta fragmentado. Num planeta devastado, no qual a vida na atmosfera não é mais propícia ao ser humano, a alternativa que lhes cabia era de se instalar no subterrâneo. Por estarem condenados a inércia decidem buscar respostas no passado ou no futuro, induzindo outro estado de consciência no protagonista por meio de entorpecentes, afim de realizar uma viagem nos fragmentos que lhe restavam de suas memórias. Alucinado ele retorna àquela mulher, criando “um tempo sem dor ao redor”, um estado de devaneio sem distinguir claramente se está vivendo, ou se mesmo viveu tais momentos. No ápice do filme quando herói anônimo sabe que ele é apenas uma cobaia dos cientistas e será exterminado, mergulha no limbo das memórias. Viajantes do futuro oferecem para ele a possibilidade de saltar para frente e viver em um mundo pacificado. Mas ele prefere ficar com a mulher do aeroporto de Orly das suas lembranças da infância.

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